O artigo “Common Sleep Disorders Affecting Older Adults” (Jaqua et al., 2023), publicado na The Permanente Journal, revisa os principais distúrbios do sono que impactam a qualidade de vida dos idosos.
Distúrbios do Sono em Adolescentes: O Que Precisamos Saber?
O artigo “Sleep Disorders in Adolescents” (Kansagra, 2020), publicado na Pediatrics, faz uma revisão abrangente dos principais distúrbios do sono que afetam adolescentes, destacando causas, impactos e estratégias de manejo.
Idade, peso e sexo estão relacionados à maior incidência de ronco
Distúrbio piora com o avanço da idade, aumento de peso e é mais comum em homens. O ronco é algo que incomoda muito. Não apenas a pessoa que ronca, mas também, e principalmente, quem está ao lado e não consegue dormir por causa do ruído. O médico neurologista Bráulio Brayner, especialista em distúrbios do sono da Clínica Polisono, explica que o ronco não deve ser negligenciado.
Ao contrário, a pessoa que tem o problema deve procurar um especialista para diagnosticar as causas e fazer o tratamento adequado, que pode ser medidas preventivas, uso de aparelhos ou, em determinados casos, tratamento cirúrgico. Já se sabe, segundo ele, que o ronco piora com o avanço da idade, com o aumento de peso e é mais comum no sexo masculino.
“As pessoas que roncam tem mais chances de sofrer de hipertensão arterial, independentemente de outros fatores de risco, como idade e obesidade. Além disso, o ronco está muito ligado à apnéia do sono. Por este motivo essas pessoas sempre têm que ser investigadas quanto à presença ou não de apnéia do sono”, explica. De acordo com o médico, o ronco é provocado pela passagem do ar em uma via aérea estreitada. Nas pessoas que roncam, há um estreitamento das vias respiratórias por diversos motivos durante o sono. Assim, quando o ar passa durante a respiração, ocorre uma vibração das estruturas presentes e esta vibração provoca o ruído que se chama popularmente de ronco.
Além da obstrução parcial das vias aéreas, o ronco pode ser causado também por fatores hormonais e anatômicos, como o prolongamento do palato e as amígdalas aumentadas, além de obesidade e acúmulo de gordura na região cervical. Os estudos mostram que a prevalência do ronco aumenta com o decorrer da idade. Acha-se que contribui para isto a maior flacidez muscular, que ocorre naturalmente com o avançar da idade, a influência de hormônios e o aumento de peso que tende a ocorrer também com o passar dos anos. Dr. Braulio explica que quando o indivíduo dorme, ocorre um maior relaxamento muscular, principalmente em algumas fases do sono, e este relaxamento da musculatura presente nas vias respiratórias, na faringe, faz com que haja menos espaço para a passagem do ar. Durante o sono ocorre também uma queda da língua que pode vir a estreitar mais ainda este espaço.
Em indivíduos obesos o acúmulo de gordura na região cervical pode piorar ainda mais a diminuição do espaço por onde o ar circula. “Se temos todos estes fatores dificultando a livre circulação do ar, teremos também uma maior vibração dos tecidos presentes nas vias aéreas e esta vibração vai gerar o ronco. Se a obstrução da via aérea for total o ar deixa de circular e a pessoa para momentaneamente de respirar, ocasionando a apnéia”, acrescenta. Para as pessoas que já roncam é essencial que elas percebam que o ronco não é um fenômeno “normal” e sim um distúrbio que precisa ser tratado, não só pela questão da convivência com outras pessoas que podem vir a se sentir incomodadas com o barulho, mas também para diminuir a chance de vir a ser hipertensa, sofrer um infarto ou um AVC. Para os que não roncam uma das medidas de mais sucesso é o controle do peso. Se o peso se mantiver estável a chance de futuramente ser um “roncador” é menor.
“Para quem ronca a melhor posição para dormir é de lado, pois quando dormimos de barriga para cima há uma piora do ronco e maior chance de ter apnéias”, afirma o médico. Ele acrescenta que o ronco tende a piorar no horário da madrugada, pois ocorre um aprofundamento do sono e em determinados estágios profundos do sono há um maior relaxamento muscular e consequentemente mais risco de estreitamento das vias aéreas.
O tratamento, segundo ele, é controlar o peso, dormir em posição lateral, evitar uso de determinados tipos de medicações que podem induzir a um aumento do relaxamento muscular e evitar uso de bebida alcoólica pelo mesmo motivo. Quando há diagnóstico de ronco ou apnéia leve o tratamento pode ser feito com aparelhos intra-orais. Para os casos de apnéia moderada e grave o tratamento é feito com outro tipo de aparelho, denominado CPAP, que possui uma máscara nasal. Existe também a possibilidade de tratamento cirúrgico para ambos os casos.
Obesidade pode acarretar distúrbios do sono
O encurtamento do tempo de dormir tornou-se um hábito comum na sociedade atual e, curiosamente, em todos os países a obesidade tem se tornado uma verdadeira epidemia, sugerindo uma associação entre ambos. Hoje em dia sabe-se que distúrbios do sono têm o poder de influenciar o equilíbrio nutricional e metabólico do corpo, e vários estudos têm mostrado que sua restrição tem relação com maior prevalência de obesidade, dislipidemias e diabetes.
A privação de sono costuma provocar uma alteração do padrão hormonal que controla fome e saciedade, ocasionando um desequilíbrio dos mesmos, com aumento do apetite para alimentos com alta quantidade de carboidratos. Outras evidências mostram que a privação de sono pode aumentar não só o apetite como também a preferência por alimentos mais calóricos e ricos em lipídeos. Do ponto de vista hormonal, existe uma substância chamada grelina relacionada à fome e outra substância denominada leptina relacionada à sensação de saciedade. Na privação de sono, ocorre um desequilíbrio entre as duas, promovendo aumento do apetite e ingestão de alimentos com alto teor calórico.
Geralmente o excesso de peso provoca acúmulo de gordura na região cervical, ocasionando um estreitamento das vias aéreas e, desta forma, aumentando o risco de ronco e apneia. Algumas medidas, como o IMC (índice de massa corporal) e a medida de circunferência do pescoço podem ajudar a predizer esses riscos. Assim, torna-se frequente entre obesos a Síndrome da Apneia-Hipopnéia Obstrutiva do Sono (SAHOS), e pacientes com obesidade mórbida podem ainda apresentar a Síndrome de Obesidade-Hipoventilação (Síndrome de Pickwick). Neste caso, o excesso de gordura interfere na movimentação da musculatura respiratória no tórax e abdômen, consequentemente, o tórax expande menos e há uma retenção de gás carbônico no corpo, ocasionando diversas alterações, entre elas uma sonolência excessiva durante o dia.
O diagnóstico é feito levando-se em consideração o quadro clínico do paciente, e muitas vezes as queixas do cônjuge. O melhor exame para diagnóstico de ambas as condições é a polissonografia, que permite avaliação das variáveis respiratórias e estagiamento do sono, além da medida da saturação de oxigênio no sangue.
O tratamento da apneia (SAHOS) é feito através de aparelhos que promovem uma desobstrução da via aérea. Geralmente tratando o distúrbio do sono o paciente já passa a dormir melhor, pois há uma melhora acentuada dos sintomas, principalmente da sonolência diurna, e quem dorme bem tem um melhor controle da ingestão alimentar e melhor metabolismo e, consequentemente, perde peso mais facilmente.
Por Dr. Braulio Brayner, médico especialista em neurologia e medicina do sono da Polisono.
Entrevista com o Dr. Braulio Brayner
Entrevista do Dr. Braulio Brayner para a rádio Band de Ribeirão Preto sobre distúrbios do sono.
Bebê de barriga para cima reduz em 70% risco de morte súbita
A nova orientação, que passou a ser seguida pela Sociedade Brasileira de Pediatria, é de que a criança seja colocada de barriga para cima. Dessa forma se reduz em 70% os riscos da morte súbita, segundo um estudo do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
A pesquisa da UFPel constatou que se uma criança está deitada de barriga para cima e se engasga, ela acaba tossindo e chama a atenção dos pais. No caso da morte súbita, essa reação não acontece e a morte se dá de forma silenciosa. “A morte súbita do lactente é a principal causa de morte no primeiro ano de vida nos países desenvolvidos. É definida como óbito de crianças de 1 a 12 meses de idade sem causa esclarecida após extensa investigação da cena de morte e necropsia”, explica o neurologista e especialista em distúrbios do sono, Bráulio Brayner, de Campinas.
O médico ressalta que ainda não se sabe as causas exatas da morte súbita, mas os resultados de necropsia sugerem a presença de hipoxemia crônica (baixo teor de oxigênio no sangue) ou obstrução de vias aéreas superiores, mas nem todos os lactentes que tiveram morte súbita apresentam estas alterações. Segundo ele, foi verificado através de pesquisas que a morte súbita ocorre mais frequentemente nos meses de inverno, a maior incidência é no sexo masculino e pode haver associação com tabagismo passivo e tabagismo materno pré-natal.
“A chance de o lactente ter morte súbita quando há exposição domiciliar à fumaça de cigarro aumenta em 5 a 9 vezes, sendo maior quando o fumante é a mãe. Há também uma chance maior de o distúrbio acontecer quando a criança é prematura, quando há excesso de vestimentas, aleitamento artificial e quando já ocorreu morte súbita em algum parente direto”, esclarece. A morte súbita é considerada um distúrbio do sono porque 80% dos casos ocorrem entre meia-noite e seis horas da manhã. Entre os lactentes, ela acontece tipicamente na faixa etária entre 1 e 12 meses de vida, com um pico de incidência entre 2 e 4 meses de idade, de acordo com Dr. Bráulio.
A Academia Americana de Pediatria recomenda que os lactentes saudáveis devam dormir em decúbito dorsal (ou seja, de barriga para cima) ou lateral. Recomenda-se também abolir o tabagismo passivo, estimular o aleitamento materno, evitar excesso de roupas e cobertores e não usar colchão grosso e macio. “Essas orientações são muito importantes e deveriam ser passadas às mães pelos pediatras brasileiros”, acrescenta. Além da morte súbita, ele diz que os bebês também podem sofrer de outros distúrbios do sono, mas são mais raros, que são o evento de aparente risco de vida, a apnéia da prematuridade, a apnéia do lactente, síndrome da hipoventilação central congênita e, nas crianças com um pouco mais de idade, a apnéia obstrutiva do sono, as parassonias (incluindo sonambulismo e terror noturno) e crises epilépticas que podem ocorrer durante o sono.
Mesmo com as comprovações feitas pela pesquisa e com o conhecimento de que a orientação de dormir de barriga para cima é feita em muitos países há mais de 20 anos, no Brasil poucas mães adotam a medida. Aqui, aliás, a prática usual é colocar o bebê de lado, porque no caso de engasgar ele não se sufocaria com o leite. Mas os estudos mostram que o perigo da morte súbita é bem maior.
Soneca após o almoço faz bem para a memória
Sintomas
O cochilo após o almoço conhecido como siesta nem sempre é bem visto, mas estudos da Universidade de Berkeley, na Califórnia, mostram que uma soneca de 15 a 30 minutos pode aumentar o aprendizado e a memorização, além de ajudar na recuperação física e mental do corpo. Segundo a pesquisa, jovens que cochilavam à tarde tiveram um desempenho 10% melhor nas tarefas relacionadas à capacidade de aprendizagem e memória. Por outro lado, aqueles que perderam uma noite de sono diminuíram a capacidade de armazenar novas informações em até 40%.
O neurologista de Campinas Bráulio Brayner, especialista em distúrbios do sono, explica que a capacidade de aprendizagem melhora quando se dorme bem, pois alguns estágios do sono, como o REM, estão relacionados à memória e ao aprendizado. Ele esclarece ainda que o cochilo neste horário é uma necessidade fisiológica devido ao processo de digestão: “O sangue se torna menos ácido, neste momento, dando uma sensação de sonolência”. A diminuição da temperatura corporal, que normalmente ocorre nesta hora do dia, também leva o corpo a entrar no ritmo de sono. “A soneca após o almoço melhora a memória. É como se durante o sono o cérebro fizesse uma ‘limpeza’ na memória de curto prazo, abrindo espaço para que novas informações sejam armazenadas”, explica.
O tempo para voltar à ativa depois da soneca é muito variável e individual, inclusive depende da duração do cochilo, mas em geral após uma soneca com duração de 30 minutos, em média, a pessoa leva mais 30 minutos para estar plenamente recuperada. A sonolência após a soneca é diminuída quando se faz uma refeição mais leve no almoço, também ficando em local com temperatura mais amena, evitando o excesso de calor. Pode-se também tomar café ou outra bebida estimulante. “O café pode até ser tomado antes, pois só vai fazer efeito após a soneca.
Para quem costuma dormir duas ou três horas após o almoço, principalmente nos finais de semana quando não há preocupação com o trabalho, Dr. Brayner alerta que esse tempo é longo. “A soneca após o almoço deve durar no máximo 30 minutos para não atrapalhar a noite, pois é nesse horário que o sono é mais restaurador e importante”.
Dicas para uma boa noite de sono
Medidas de higiene do sono
As orientações abaixo são dicas simples mas muito eficazes em promover uma melhor qualidade do sono. Nunca se esqueça que uma melhor qualidade do sono representa uma melhor qualidade de vida.
- Suspender ou reduzir substancialmente o consumo de bebidas alcoólicas por no mínimo 6 horas antes de dormir. O álcool pode alterar a estrutura do sono e aumentar o número de apnéias nos portadores de Apnéia Obstrutiva do Sono.
- Evitar o uso de estimulantes como café, chá preto, verde ou mate e energéticos, no mínimo 6 horas antes de dormir (alguns tipos de chá como camomila e erva cidreira não têm contra-indicação).
- Evitar refeições pesadas antes de dormir
- Evitar dormir durante o dia.
- Perder peso. Sabe-se que o aumento da massa corporal correlaciona-se com a gravidade e com a freqüência da apnéia e da hipoxemia (queda de oxigênio no sangue). Às vezes uma simples redução do peso já provoca uma redução importante das apnéias.
- Praticar exercícios físicos regulares preferencialmente até 4 a 6 horas antes de deitar. As atividade físicas não devem ser praticadas em horários muito próximos aos de dormir.
- Melhorar o ambiente do sono. O quarto em que se dorme deve ser confortável, silencioso e escuro. Devem ser evitados os carpetes ou outros materiais que acumulem poeira ou possam propiciar alergias.
- Manter hábitos adequados como horário regular de ir para a cama e levantar da cama.
- Evitar atividades na cama que não sejam dormir e o ato sexual, ou seja, a cama não é o ambiente adequado para assistir TV, escutar rádio ou usar o computador.
- Evitar passar tempo excessivo na cama. A cama deve ser um local estritamente para dormir. Se você não consegue dormir é preferível levantar e sair do quarto até que o sono retorne.
- Suspender sempre que possível o uso de medicamentos como benzodiazepínicos, barbitúricos e narcóticos, pois eles interferem na arquitetura do sono, têm efeito depressor sobre a respiração e podem piorar muito as apnéias nos portadores de Apnéia Obstrutiva do Sono. Apesar de serem medicações muito usadas por pacientes com problemas de sono são medicações que devem ser evitadas e substituídas sempre que possível, pois elas além de causar dependência, podem afetar a qualidade do sono. Nunca inicie, mas também nunca suspenda o uso destas medicações por conta própria. Procure sempre orientação médica adequada.
- Procurar relaxar física e mentalmente pelo menos 2 horas antes de dormir. Evite discutir, resolver problemas, calcular despesas, fazer esforços físicos, etc. É muito salutar o hábito de ter uma agenda para escrever os compromissos e prioridades. Idealmente a agenda deve ser organizada cerca de 4 horas antes de deitar. A agenda permite que você não se esqueça de nada importante, organize melhor sua rotina e durma mais tranqüilo, sem se preocupar com o que não deve esquecer para o dia seguinte.
- Procurar encontrar a posição mais adequada para dormir. Nos pacientes com apnéia do sono deve-se evitar a posição do corpo na qual a apnéia aparece ou piora, que geralmente é a posição chamada de decúbito dorsal, com as costas para baixo e a barriga para cima. Uma dica muito simples para auxiliar pessoas que possuem o hábito de dormir nesta posição é a de costurar um bolso na parte posterior de uma camiseta e colocar ali uma bola de tênis de mesa para evitar que durante o sono a pessoa vire de barriga para cima.
Estágios do Sono
Estágios do Sono
Desde a mais remota antiguidade o sono sempre intrigou muito o ser humano. Antigamente achava-se que o sono era um estado inerte e com a função basicamente de fazer o indivíduo repousar. Com o advento das novas técnicas de estudo e monitorização do sono como a polissonografia, descobriu-se que o sono é um estado complexo, dividido em vários estágios e em alguns dos quais ocorre uma intensa atividade do organismo, como a secreção de hormônios e a consolidação de processos de memória.
E é por ser tão importante para o funcionamento do nosso organismo que se busca cada vez mais, melhorar a qualidade e eficiência do sono. Sabe-se que esta melhora correlaciona-se diretamente com uma melhor qualidade de vida.
O sono divide-se nos seguintes estágios:
Estágio 1
É o estágio inicial, apresenta curta duração e caracteriza-se por uma atenuação da atividade elétrica cerebral, com ondas de menor freqüência que no estado de vigília e presença de movimentos oculares lentos.
Estágio 2
É o estágio que tem maior duração e caracteriza-se por alguns grafoelementos como os fusos do sono e os complexos K.
Estágio 3 e 4
São caracterizados pelo predomínio de ondas lentas.
Sono REM (“Rapid Eye Movement”)
Sono REM ( “Rapid Eye Movement”) trata-se de um estágio que ocorre predominantemente na segunda metade da noite. É geralmente no sono REM que ocorrem os sonhos e processos importantes de consolidação de memória. É chamado “REM ” porque ocorrem períodos de movimentos rápidos dos olhos. Outro fenômeno que ocorre no sono REM é a hipotonia muscular. Nos pacientes que têm apnéia do sono, é no sono REM que as apnéias predominam.










